Florianópolis está morrendo. Afundando. Tá começando a boiar bosta, literalmente. Ontem fiquei com medo do meu carro se afogar numa inundação na Rua Mauro Ramos, lá no centro.

Ligaram há pouco tempo falando que uma barragem caiu lá perto de Santo Antônio de Lisboa, onde meu tio mora, e agora eles estão sem acesso ao centro. Já vi fotos do campeche alagado, e admito que tô com medo. Tô mesmo, sou cagona para caralho. Não assisto jogos mortais por que mor-ro de medo.

É uma ótima idéia, sabe? Chover numa cidade que nem Florianópolis, onde o sistema de drenagem é uma porcaria, e as principais ruas da ilha são aterros. Nessas horas que eu falo que meus pais tiveram uma luz divina e resolveram morar em Coqueiros. No Continente. Num morro, ainda por cima.
E isso serve para todos os manézinhos da merda da ilha que falam que depois da ponte é São José/Palhoça: Vai faltar luz para vocês. Vai sim. Vai faltar luz, e enquanto vocês estiverem tomando banho d’água fria com canecas, eu vou estar com o meu som ligado no banheiro.

Mentira, eu não tenho som.
Mas se tivesse, eu ligaria só para esfregar na cara.

A rua da minha irmã em Blumenau está embaixo d’água, e ela já ligou dizendo que tá ilhada, que um monte de gente tá morrendo, mas por enquanto ela ainda está viva. Se alguém tiver um helicóptero disponível, pode avisar que a gente recebe ela de volta aqui na boa, sabe como é, família, né?

 

 

 

 

Ok, total mudando de assunto:

Então, eu sinceramente não sei o que anda de errado com as pessoas ultimamente. Sério.

Eu não sei se sou eu que estou ficando muito velha, ou se as pessoas mais novas hoje em dia estão simplesmente saindo da casinha, mas cara, não é normal.

Ontem eu estava na festinha, e vi um cara. Não foi nada de especial, não senti atração por ele, ele não deve nem ter percebido que eu existia, eu só olhei e o vi com um grupo de amigos.
No desenrolar da festa, eu notei que ele estava tentando dar em cima de uma menina. (Essa é a melhor parte pra mim, eu sempre acho incrivelmente divertido ver os caras tentando conquistar as meninas.) Quando eu passei de novo lá ele já estava com as mãos dentro das calças dela e o rosto afundado nos peitos.

Tá, os peitos dela eram gigantescos, mas mesmo assim, não era humanamente possível ficar afundado daquele jeito.

Mas aí está o que acho bizarro: os homens acham que estão pedindo para ir para cama contigo, e não simplesmente ficar! Acham que só por que a menina o beijou, automaticamente eles estão autorizados a botar a mão dentro do seu sutiã. E isso não é o pior, o pior é quando se tira a mão deles, e eles a olham com uma cara de confuso, como se pensassem “eu fiz algo de errado?!”. FEZ SIM. Claro que fez!

Então,

 

 

“Dicas para não levar tapa na cara de uma menina”:

#1; Não abuse da “mão boba”. Tipo, até pode por uma vez, sabe? Vai que essa deixa, mas se ela tirar, não insiste. E também não olhe com uma cara de “O quê foi? O que eu fiz?”, por que você pode receber (dependendo do humor ou de o quanto ela vai com a tua cara) uma resposta do tipo: “Por que você tentou botar as mãos dentro da minha calça e eu quero que você tire, panaca. Tais achando que eu sou o quê?

#2; Não se acha a última bolachinha do pacote, por que homens parecem sempre esquecer que geralmente a mulher já tá cheia por ter comido um pacote inteiro antes, e que a tal última sempre é a esmagada, esfarelada e toda rachada.

#3;Eu sou legal, não estou te dando mole!” é uma frase verdadeira. Tipo, desculpe se sou sociável, sabe? E nessa aqui também entra a idéia de que se a guria não tá te dando atenção é por que ela não quer falar contigo. Ficar ali insistindo e atrapalhando as conversas dela não vai melhorar o teu ibope.

 

 

Eu sei lá, para falar a verdade. Acho que depois dos meus 17 anos eu comecei a ver que eu tenho muito mais valor. Eu resolvi ser seletiva. Não vou ficar com meio mundo, passar o rodo, ou qualquer coisa parecida por que no final da noite eu me sinto tão baixa, barata e desvalorizada do que quando não fico com ninguém.

Faz um tempo já que eu olho para os casais como os mencionados anteriormente e me pergunto por que não arranjaram um quarto. Fico pensando que a menina é uma puta e o homem é um safado. Por que ele não vai ligar no dia seguinte e ela não vai ser a única da noite.

Tá, eu sei que geralmente eu não tenho a melhor opinião própria, minha auto-estima é uma merda gigantesca, mas eu não sei com que tipo de mulher vocês, homens, estão andando ultimamente. Mas posso lhe garantir que não sou uma delas. Não quero suas mãos me invadindo, e garanto que de hoje em diante vou deixar isso bem claro.

Tem pessoa que não tem quem culpar e aponta pro primeiro que vê.

Mamãe chegou hoje falando que as bolsas do banco caíram. Algo a ver com a crise dos Estados Unidos, etc… Mas o fundo de investimentos do banco fez ‘BUM’. Na última vez que isso aconteceu eu e a minha irmã perdemos bastante. Por causa disso, há uns dias, a Mãe já tinha mencionado sobre tirar o nosso dinheiro de lá e botar numa poupança, ela fez isso hoje de manhã. E não deu outra, chegou meio dia as bolsas estouraram. Só essa desconfiança dela nos salvou de perder uma boa quantia.

Mas a questão não é isso. A questão é que ainda vem gente choramingar. Cara, no momento que você bota seu dinheiro num fundo de investimentos, você tem que estar ciente do fato que é risco. Depende do mercado e o mercado é instável. “Ah, eu confiei em você”, vontade de responder: “Puts, que merda, né? Peninha!”. Não foram eles que baixaram a bolsa, muito menos eles que tiraram dinheiro da sua conta.

Tipo, qualquer investimento é risco. Se você for abrir qualquer tipo de negócio, é investimento. Vai culpar quem se a loja falir?

Esse é o Item #346736 na “Lista de Coisas que Me Irritam pra Caralho” é: Odeio gente que brinca com fogo e depois choraminga que se queimou.

Tipo, o mínimo que podiam fazer é ter cautela, sabe? Usar aquelas roupas anti-acidentes-com-vela, manter um extintor à mãos, etc.

Isso também se aplica às pessoas que brincam e brincam, daí quando brincam com ela, fica irritada, sabe? Sempre existe alguém assim, e é sempre esse tipo que me dá mais agonia.

Isso geralmente acontece quando se tem intimidade, né? A intimidade fode com tudo, as brincadeiras ficam mais pessoais, e as pessoas tomam liberdades demais.

Mas aqui entra toda minha teoria sobre convivência ser a morte de todo e qualquer relacionamento. Amoroso, amizades e familiares. Sério, depois de dois dias no meu quarto até o Pinky não agüenta mais me ver.

Eu acho que estou amadurecendo.

É uma merda. É a maior bosta do mundo. Não é tão legal quanto eu achei que seria, e tipo, tá muito tarde pra isso. Eu já to velha demais pra amadurecer, sabe? Devia ficar com uma mentalidade de 5 anos até o resto da minha vida.

Tipo há umas semanas atrás, eu percebi isso quando eu estava parada ouvido as maiores asneiras do MUNDO na MESMA noite, de pessoas diferentes. Eu não falei nada. Eu pensei: “Ah, foda-se. Deixa ele pensar assim, tô mto cansada pra discutir.”

Tá bom, talvez não seja realmente amadurecer, tá mais pra preguiça, mas mesmo assim. É ridículo a quantidade de valor que o ser humano se dá. Como se eu fosse ficar ofendida por que uma pessoa que mora no Alasca não foi com a minha cara. Ok, eu meio que gostaria de saber porque, já que eu nunca fui no Alasca, nem conheço alguém do Alasca! (Tipo, o Alasca é tipo o Acre com focas e leões marinhos, saca? Totalmente imaginário e inventado pelos criadores do simpsons pra me entreter. Eu imagino se pega HBO lá, ou sei lá, SBT!) Bem, entenderam o sentido, né?

Eu tinha planejado de ir ao cinema hoje com o Saulo (primo!), mas daí ele cancelou, e eu liguei pro Fer (Meio-irmão, melhor amigo, conselheiro, motorista e idiota mór) e falei para ele vir aqui, isso foi às 11h da manhã, ele chegou às quatro.

 

Não preciso dizer que não deu de fazer nada do que planejei e 2/3 do meu dia foram pro saco.

 

 

 

m: Forgive me – Ida Maria

Talvez seja algo que está implantado no meu DNA, ou talvez eu simplesmente não quebrei a cara o suficiente para aprender. Se bem que não importa o quanto eu quebre a cara, eu nunca aprendo. Os Hives falam que “a definição de loucura é fazer de novo a mesma coisa e esperar um resultado diferente”. É plausível.

Mas então, eu crio expectativas.

Não só com as coisas importantes, mas também com as que são totalmente inúteis. Eu vivo de expectativas. 90% das vezes elas são demasiadamente altas para um ser humano comparecer, mas mesmo assim, eu não consigo me conter.

Não é de todo mal, veja. São essas expectativas que me impedem de sair de pijamas nos dias frios, que me forçam a tomar banho quando não tenho vontade, e outros variantes. É por causa dessa minha imaginação que ‘hoje algo importante pode acontecer’ que eu passo minhas blusas antes de sair de casa.

Posso dizer que nunca é ‘hoje’, né? Quase todos os dias eu chego em casa e penso no trabalho que tive em vão, e isso é cada vez mais desanimante.

Eu não brinco quando falo que as coisas são mais divertidas na minha imaginação. As pessoas são muito mais legais lá, obviamente, por que tudo gira em torno de mim e, acima de tudo, minhas expectativas são sempre correspondidas.

Foram poucas as pessoas que corresponderam à todas minhas expectativas e aparentemente tem um padrão desagradável nisso, por que elas sempre somem.

É muito estranho passar tua adolescência inteira com uma pessoa e em segundos ela parece que se desprende totalmente de você. É algo que faz com que eu pense que, talvez, a minha marca não foi tão grande, se é tão facilmente apagável; passa a impressão que, embora eu valorize tanto a pessoa, o sentimento não foi recíproco.

Eu não sei me desapegar. Eu gosto demais. Verdade que tenho problemas em demonstrar meus sentimentos românticos e, geralmente, passo a impressão de grosseria e falta de interesse, mas me preocupo demais.

Eu sou do tipo de pessoa que liga só pra saber se tá tudo bem. Não só romanticamente. Por exemplo, o Fer (Meioirmão, melhor amigo, conselheiro, motorista e idiota mór) sumiu por duas semanas e eu fiquei desesperada. Eu não sabia se ele estava bem, se algo tinha acontecido, e pra melhorar o bocó não tinha telefone!

Eu quero saber tudo, sempre. Quero saber como foi o dia, com quem conversou, o que pensou, cada segundo. Não é por possessividade, nem obsessão, muito menos desconfiança, mas porque eu me importo. Acho legal quando as pessoas têm interesse pelos meus pensamentos e querem me ouvir.

E olha que é raro achar essas pessoas, por que depois de uma semana elas já percebem que metade do que eu falo não vale a pena ouvir e a outra metade não faz o menor sentido!

Eu posso ser louca, mas sou constante. Pelo menos me considero bastante constante. Um dia me disseram que eu sempre estou alegre, sempre chego animada ou com uma piada pra contar. Acho bastante verdade devido à minha falta de tempo para realmente parar e pensar, isso ajuda bastante a ignorar os problemas e remoer sobre eles. Tá, também ajuda a não resolvê-los, mas isso é detalhe.

Hoje me relacionei com quem disse sempre precisar chamar as pessoas para fazer as coisas, se não ninguém se mexe. Eu sempre saio do meu caminho para todo mundo, vou até o outro lado da cidade por pura simpatia, só que de vez em quando seria legal ter alguém fazendo isso por mim.

 

Não quero comentários como “mas, e eu?”. Deu de drama.

 

 

m: FOTOS – Ein Versprechen

Eu tenho um pavio curto. Todo mundo sabe disso, e tipo, não é novidade, dá de ver na cara.

Minha aparência não é muito amigável, eu sei e até uso isso em minha vantágem de vez em quando, nas ocasiões de não querer falar com alguém, embora eu, geralmente, seja uma pessoa bastante simpática e animada. Eu costumo falar que não tenho paciênca, nem tempo.

Só que em situações sérias, eu pareço que tiro paciência da bunda.

Ontem, sexta-feira à noite, eu fui dirigindo para o colégio. Eu estava meio com pressa, sabe? Então eu fui virar numa rua, e acabei mais olhando se tinha vagas para estacionar do que se vinha algum outro carro vindo. Vinha um ônibus.

Bem, foi só um arranhãozinho (sério!) na lataria do ônibus e está tudo resolvido. E a minha reclamação não é essa.

A minha reclamação é sobre um senhor, bem, quase-senhor, ele parecia estar no começo dos quarenta e sua cara gritava “Gargamel!”. Não, ele não tinha nada a ver com a situação, mas resolveu que queria ser testemunha e encher o meu saco.

Começou quando eu desci do carro de guarda-chuva, devidamente estacionada e com o pisca-alerta ligado. E me aproximei do motorista do ônibus, pedi desculpas e falei que tinha noção da minha culpa – e tinha mesmo, eu invadi a preferencial sem ao menos olhar direito para os lados. Quando cheguei na frente do motorista, o fulaninho já estava do lado falando ter visto tudo e estar disposto a testemunhar. Eu acho que ele pensava que isso era, tipo, um tribunal à la Law and Order, e estava esperando ele me algemar e falar que tudo que eu falasse poderia ser usado contra mim no julgamento.

Até aí eu tava calma. Eu admito que sou barbeira e que minhas habilidades automobilísticas não são das melhores, afinal, sou mulher, loira e não cheguei nem aos 30. Já tive minhas batidas de carro e estou começando a aprender como agir nas situações. Mas tem gente que não sabe quando não se meter e quando calar a boca. Então a conversa foi meio assim:

“a: Então, o que o senhor pretende fazer? Queres chamar a polícia?
b: Sim, eu preciso. Não deu nada no ônibus, só um arranhão, mas se eu entrar com ele assim na garagem vai sobrar pra mim.
a: Não, tudo bem. Eu entendo.
c: Por que existe gente que não deveria estar dirigindo, deveria estar no cemitério.
a: Com licença, mas eu fiz algo para o Senhor? O Senhor está me vendo criar algum problema?
c: Você tá criando problema, tá atrapalhando o trabalho dele!
a: Sim, mas em algum momento eu neguei a culpa?
c: Aposto que você nem é daqui, né?
a: Sou sim.
c: Devia voltar para onde veio!
a: Eu sou daqui, sim. Eu morei minha vida toda na mesma casa. Como tem gente grosseira nessa cidade.
b: Eu nem conheço ele!
a: Eu também não! E mesmo assim, ele acha que pode me ofender. Como se o senhor nunca tivesse feito nada de errado na vida!
c: Não fiz mesmo!
a: Ah, não mesmo, aposto que toda sua vida foi imaculada!”

Ele ainda ficou falando sobre como tinha anotado a placa do meu carro e eu fiquei me perguntando se o fato de eu estar ali em pé, de guarda-chuvas, perdendo duas aulas e com meus documentos na mão não fazia nenhuma diferença. Por que sim, é claro, vou totalmente sair correndo! Ele podia pedir meu R.G, ou meu CPF, mas não, ele achou muito mais seguro pegar a placa do carro.

Não preciso falar que depois disso, tudo foi morro à baixo, né? Eu consegui me controlar até entrar no carro novamente para esperar os policiais, aí eu comecei a chorar histericamente. Pelo lado bom, o motorista do ônibus foi bastante gentil e compreensível, tentou ser o mais educado possível e não tenho nada para falar sobre ele, além de ‘desculpas’ e ‘obrigados’.

No final das contas o senhor ficou lá até a polícia chegar, mas foi embora antes de eu assinar os documentos. Saiu me olhando e pedindo desculpas. O nome dele foi mencionado no B.O e eu juro que me forcei a não prestar atenção para não procurar onde ele mora (Deus salve google) e ele chegar em casa com uma surpresinha (leia, meu carro) em sua sala de estar. (Aí ele pode dizer que eu comprei minha carteira. Pode anotar a placa, também, se ele conseguir entrar no recinto!)

Acabei ficando duas horas estacionada numa rua do centro até o transito melhorar e fui pra casa.

 

 

Desde então, meu lado piscológico está tentando me matar.

Eu juro que está, por que amanhã as oito da manhã tenho simulado de biologia, matemática e redação. Já é uma da manhã, e eu não consigo dormir. Para melhorar, consegui perder duas borrachas no período de três horas. (Sim, eu tenho o dom!) E como eu estava falando para Camila no msn, eu sou típicamente paranóica por que sempre esqueço tudo e vivo checando se não deixei nada pra trás.

Mesmo assim eu consegui perder duas e tive que ir em milhares de supermercados atrás de outra para amanhã. Tive minha irmã louca da vida me ligando que queria sair, então voltei pra casa correndo e tremendo a cada sinaleira, com as palavras do coroa ecoando pelos meus ouvidos e morrendo de medo de multas, batidas, capotadas, atropelamentos, flashes e variantes.

 

 

Acho que não nasci para dirigir. Tenho que ter um motorista!

 

 

 

m: Kilians – Jealous Lover