Bem, eu quero utilizar esse espaço para oficializar minha queixa de tentativa de homicídio.

Mamãe quer me matar. Não, não me venha com essa de que é coisa da minha cabeça, nem fale que eu estou exagerando, por que ela quer me matar, sim. Eu sei que quer.

Ontem à noite eu saí com a Grazy (O que, por sinal, foi a noite mais hilária, e ela soltou as melhores frases que eu já ouvi na minha vida num intervalo de três horas.) e voltei pra casa lá pelas quatro da manhã. Tomei banho e pensei que seria legal dormir, isso era, sei lá, cerca de 5 da manhã? A mãe não concordou comigo. Não sei o que ela estava pensando, mas ela achou que seria uma boa idéia me acordar às 8 para votar. À pé. Então eu levantei dando graças que eu tinha tomado banho antes de dormir e não precisaria tomar na hora, botei a primeira roupa que vi na frente, os maiores óculos escuros que eu possuo e fui com ela, já que votamos no mesmo local.

Quando eu cheguei lá no colégio público onde voto, vi que tinha uma porrada de panfletos políticos espalhados pelo chão molhado, como se alguém tivesse tentado (mal e porcamente) lavá-los da frente da escola. Como eu não lembro de quase nada de hoje de manhã porque eu era um zumbi, devo relatar somente os flashes que me vêem a memória no momento:

1. Lembro que fui e voltei xingando Deus e o mundo dos piores palavrões que conheço.
2. Lembro, também, de ter pensado: “Por que eles espalham essa merda aqui na frente? Eles realmente acham que eu vou mudar de candidato pelo simples motivo de ter visto um panfleto molhado no meio da rua?”. Como se eu olhasse pr’aquele papel molhado, e pr’aquela tinta meio borrada e pensasse: “Uáu, ele é tão mais gatinho! Por quê não votei nele antes?”

É, obviamente, por que o desperdício de papel, a poluição de ruas públicas e o deslocamento desnecessário de pessoas para limpar aquelas partes da cidade, quando, obviamente, existêm outros lugares melhores para serem saneados, não são teorias políticas plausíveis para reeleger o governador, né? “Vamos sujar a cidade toda para ver se mais pessoas votam em mim!”

Preciso dizer que voltei para casa e dormi até às duas da tarde? Não, né?

O Saulo (Primo!) passou por aqui, deu um ‘Oi!’ e desconfigurou todo meu computador (Folgado!). Eu ainda quero descobrir o verdadeiro motivo que ele passou aqui, não é típico dele simplesmente aparecer por estar ‘com saudades’, sendo que o vi ontem.

Então depois eu fui ao cinema. Sozinha. Mas o filme foi foda.

O ‘Ensaio Sobre a Cegueira‘ foi absurdamente foda. Sério. Eu achei muito bom.

Posso não saber dessas coisas técnicas, já que nunca estudei sobre maneiras de filmar e variantes, mas eu gostei demais dos movimentos de câmera e a diminuição gradativa das cores em certas cenas. Acho que o filme todo fez um ótimo trabalho em transmitir emoções.

Não sei se a minha teoria está certa, mas foi algo que também pensei quando vi “Paris, Je t’aime“: Quando terminou o curta do Walter Salles (Loin du 16e), a primeira coisa que eu pensei foi: “Puts, só podia ser Brasileiro!”. Parece que todo Brasileiro tem o dom de transmitir miséria e dor. E violência, nunca esqueça da violência.

Mas retornando ao dia, lá estava eu, sentada na cadeira F-14 da Sala 1 de cinema do Floripa Shopping (quase fui ao Iguatemi, mas Floripa = Estacionamento Grátis.) com o meu pacote pequeno de pipoce (Doce.) e meu copo (Médio.) de Coca-Cola.  Todas as cadeiras do meu lado estavam vazias, até que chegou um cara, também sozinho, e sentou-se exatamente do meu lado direito.

Cara, quando você está sozinha no cinema e um cara senta do seu lado, a primeira coisa que passa pela sua cabeça é “Puta merda, que espécie de tarado vem ao cinema sozinho e senta do lado de alguém?”. Havia tantas cadeiras ali, por que ele sentou do lado da minha? Daí eu lembro que eu sou a gorda que também está ali sentada sozinha, comendo pipoca compulsivamente e dando pequenos suspiros no meio do filme.

Daí eu parei para imaginar o quão ridícula deve ser a cena. Imaginei como deve ser irritante sentar do lado de uma pessoa que não para de comer pipoca, uma atrás da outra, e cara! Quando o refrigerante acaba e soa aquele barulho de sucção! Irritante (Eu faço direto!). É como se a pessoa não acreditasse que o refrigerante realmente acabou e espera que magicamente o copo se encha.

(Só digo uma coisa, se a gente estivesse em Hogwarts isso aconteceria, sacou?)

Sei lá, em resumo, passei meu final de semana me sentindo a maior baranga mal-amada do universo.

Mas sexta tem Oktober. Oktober tem cerveja.

Gente, vou vomitar muito.

m: Tété – Flou