Então, é muito minha cara ter que ir à outro estado para tomar um bronze. Eu moro em Florianópolis, meu deus, uma ILHA! E ainda volto de Porto Alegre com aquele bronzeado de turista otário: camisa regata, shorts, óculos de sol e até da sandália!

Eu não tenho muito a dizer. Mentira, tenho bastante.

Porto Alegre

dsc04052Levando em consideração que eu sou louca maníaca pirada afeiçoada pela cidade, vamos aos pontos:

a) Viajar com o Fernando é uma maravilha. Ele tem o dom de evitar brigas, fica quieto quando mandam e ainda topa tudo bem fácil. Sem contar que ele foi comprar cera para depilação pra mim sem nem ter que fazer chantagem. Tá certo, ele compro a errada, mas o que vale é o esforço.

b) Eu tenho a incrível mania de compensar em POA tudo que eu não caminho em casa. Eu ando pela cidade toda, com um mapa, bem colona. Me perco, falo alto e peço informação. Tive que ensinar as técnicas de pedir informação ao Fer, ele simplesmente saia pedindo pra qualquer um!
b.1._ Nunca peça informação para gente bonita. Ou seja, nunca peça informação para quem tu darias uns catos, pelo simples fato de que eles tem que achar que és inteligente e bem situada. É claro que eu não sou, por isso que eu sei fingir.
b.2._ Sempre procure alguém que parece trabalhar no local.  Ou qualquer tipo de funcionário de transporte público. É bom também pedir à taxistas, mas eles constantemente te olham meio estranho, então volte ao início do item. O motivo é que as pessoas que trabalham pelo local vão pra lá todo dia, ou seja, já se perderam o suficiente para conhecer o local.

c) Porto Alegre é quente. É quente pra caralho e não no sentido porn da palavra. A cidade chega à 35ºC tranqüilo, no verão. Leve protetor solar. E use-0. Assim, não virarás um pandinha, como eu: com as bochechas rosadas e os olhos branquelos.  Eu fazia o Fer passar protetor todo dia, se bem que lá eu era mais mãe do que irmã, né. Eu fazia o curativo dos pontos dele, eu comprava água pra ele levar pra prova, esperava ele terminar pra voltar para o hotel…

d) No RS a maioria dos pais levam e buscam os filhos no local de prova. Eu achei absurdamente estranho e fiquei chamando todos eles de maricas o tempo todo. Vão sozinhos, oras! (Na verdade, eu só queria que minha mãe estivesse ali também!) É uma coisa muito: “Vá, filho, ser homem na vida!”. Para ser honesta, toda aquela entrada para o prédio onde ocorrerá o vestibular me lembra vacas indo para o abate. Eu sei, comparação tola e idiota, até vulgar, mas não posso fazer nada. Parece que estamos indo ao encontro de nossas mortes.

e) Ainda no assunto de vestibular, tenho que dizer que o tema da redação quase me fez rir alto. Eles deram vários dados de estatísticas, como alfabetismo, PIB, etc etc, e quase todos eles tinham no final: ’só perdendo para Santa Catarina’, e eu quase escrevi ‘É, cara, tá foda superar esses Catarinenses, hein?” Mas eu achei que eles não gostariam do comentário. hahaha

No último dia de vestibular eu fui no bar e enchi a cara. Foi bem divertido.

Eu acho que já esqueci como é sair sem me preocupar com onde estacionei o carro e não poder beber por estar dirigindo. Morais são uma merda. Todo mundo fica de olho arregalado quando eu digo que não boto uma gota d’álcool na boca quando estou dirigindo.

Daí vem o cara da minha ex-sala e fala: “O que adianta, se você bate o carro do mesmo jeito?” Eu juro que no momento eu queria socar ele.

Tá, eu posso não ser a melhor motorista do mundo. E eu posso ter batido o carro umas centeninhas de vezes, mas não quer dizer que eu bata o carro na mesma freqüencia de um bêbado! Tipo, oi? Se eu batesse tanto o carro assim NUNCA que minha mãe deixaria eu sair a quantidade de vezes que eu saio. E gente, faz bastante tempo que eu não bato. Eu acabei de tirar carteira, oras. Tenho total direito de esmigalhar o carro. Não me enche o saco.

Pelotas: Essa vai ser bem rápida.dsc04249

a) A cidade é linda. Arquitetura linda, aquele ar de cidade antiga, sério, é linda.

b) A Biblioteca Pública de lá é meu novo lar. Eu amo aquele lugar. É lindo. É branco. Tem pilares e estátuas. E estantes de madeira que vão até o teto. É a biblioteca dos meus sonhos. É a bibloteca que eu quero ter na minha casa.

c) Doces, Açúcar, milhares e mais milhares de quilos. Os doces lá são baratos e DIVINOS. Mas não tem um único shopping e tu-do fecha aos domingos. Ruas, lojas.. é, ruas e lojas, por que é basicamente isso que tem lá.

d) O único cara que eu achei gato, adivinha! No final de contas ele era daqui de Florianópolis.

e) O pessoal lá é um amor. Eles não só te ajudam, eles fazem mais do que o necessário. Às vezes eles não percebem o quanto isso é chato; e as coisas ficam meio inconvenientes, mas a intenção deles é boa.

Eu tenho um pavio curto. Todo mundo sabe disso, e tipo, não é novidade, dá de ver na cara.

Minha aparência não é muito amigável, eu sei e até uso isso em minha vantágem de vez em quando, nas ocasiões de não querer falar com alguém, embora eu, geralmente, seja uma pessoa bastante simpática e animada. Eu costumo falar que não tenho paciênca, nem tempo.

Só que em situações sérias, eu pareço que tiro paciência da bunda.

Ontem, sexta-feira à noite, eu fui dirigindo para o colégio. Eu estava meio com pressa, sabe? Então eu fui virar numa rua, e acabei mais olhando se tinha vagas para estacionar do que se vinha algum outro carro vindo. Vinha um ônibus.

Bem, foi só um arranhãozinho (sério!) na lataria do ônibus e está tudo resolvido. E a minha reclamação não é essa.

A minha reclamação é sobre um senhor, bem, quase-senhor, ele parecia estar no começo dos quarenta e sua cara gritava “Gargamel!”. Não, ele não tinha nada a ver com a situação, mas resolveu que queria ser testemunha e encher o meu saco.

Começou quando eu desci do carro de guarda-chuva, devidamente estacionada e com o pisca-alerta ligado. E me aproximei do motorista do ônibus, pedi desculpas e falei que tinha noção da minha culpa – e tinha mesmo, eu invadi a preferencial sem ao menos olhar direito para os lados. Quando cheguei na frente do motorista, o fulaninho já estava do lado falando ter visto tudo e estar disposto a testemunhar. Eu acho que ele pensava que isso era, tipo, um tribunal à la Law and Order, e estava esperando ele me algemar e falar que tudo que eu falasse poderia ser usado contra mim no julgamento.

Até aí eu tava calma. Eu admito que sou barbeira e que minhas habilidades automobilísticas não são das melhores, afinal, sou mulher, loira e não cheguei nem aos 30. Já tive minhas batidas de carro e estou começando a aprender como agir nas situações. Mas tem gente que não sabe quando não se meter e quando calar a boca. Então a conversa foi meio assim:

“a: Então, o que o senhor pretende fazer? Queres chamar a polícia?
b: Sim, eu preciso. Não deu nada no ônibus, só um arranhão, mas se eu entrar com ele assim na garagem vai sobrar pra mim.
a: Não, tudo bem. Eu entendo.
c: Por que existe gente que não deveria estar dirigindo, deveria estar no cemitério.
a: Com licença, mas eu fiz algo para o Senhor? O Senhor está me vendo criar algum problema?
c: Você tá criando problema, tá atrapalhando o trabalho dele!
a: Sim, mas em algum momento eu neguei a culpa?
c: Aposto que você nem é daqui, né?
a: Sou sim.
c: Devia voltar para onde veio!
a: Eu sou daqui, sim. Eu morei minha vida toda na mesma casa. Como tem gente grosseira nessa cidade.
b: Eu nem conheço ele!
a: Eu também não! E mesmo assim, ele acha que pode me ofender. Como se o senhor nunca tivesse feito nada de errado na vida!
c: Não fiz mesmo!
a: Ah, não mesmo, aposto que toda sua vida foi imaculada!”

Ele ainda ficou falando sobre como tinha anotado a placa do meu carro e eu fiquei me perguntando se o fato de eu estar ali em pé, de guarda-chuvas, perdendo duas aulas e com meus documentos na mão não fazia nenhuma diferença. Por que sim, é claro, vou totalmente sair correndo! Ele podia pedir meu R.G, ou meu CPF, mas não, ele achou muito mais seguro pegar a placa do carro.

Não preciso falar que depois disso, tudo foi morro à baixo, né? Eu consegui me controlar até entrar no carro novamente para esperar os policiais, aí eu comecei a chorar histericamente. Pelo lado bom, o motorista do ônibus foi bastante gentil e compreensível, tentou ser o mais educado possível e não tenho nada para falar sobre ele, além de ‘desculpas’ e ‘obrigados’.

No final das contas o senhor ficou lá até a polícia chegar, mas foi embora antes de eu assinar os documentos. Saiu me olhando e pedindo desculpas. O nome dele foi mencionado no B.O e eu juro que me forcei a não prestar atenção para não procurar onde ele mora (Deus salve google) e ele chegar em casa com uma surpresinha (leia, meu carro) em sua sala de estar. (Aí ele pode dizer que eu comprei minha carteira. Pode anotar a placa, também, se ele conseguir entrar no recinto!)

Acabei ficando duas horas estacionada numa rua do centro até o transito melhorar e fui pra casa.

 

 

Desde então, meu lado piscológico está tentando me matar.

Eu juro que está, por que amanhã as oito da manhã tenho simulado de biologia, matemática e redação. Já é uma da manhã, e eu não consigo dormir. Para melhorar, consegui perder duas borrachas no período de três horas. (Sim, eu tenho o dom!) E como eu estava falando para Camila no msn, eu sou típicamente paranóica por que sempre esqueço tudo e vivo checando se não deixei nada pra trás.

Mesmo assim eu consegui perder duas e tive que ir em milhares de supermercados atrás de outra para amanhã. Tive minha irmã louca da vida me ligando que queria sair, então voltei pra casa correndo e tremendo a cada sinaleira, com as palavras do coroa ecoando pelos meus ouvidos e morrendo de medo de multas, batidas, capotadas, atropelamentos, flashes e variantes.

 

 

Acho que não nasci para dirigir. Tenho que ter um motorista!

 

 

 

m: Kilians – Jealous Lover