Eu me pergunto por que sempre demoro tanto pra criar respostas.

Sempre que tem algum argumento, discussão ou etc, eu penso numa resposta magnífica, mas três horas depois. Daí já é tarde, né? Não vou mandar uma mensagem do celular falando “OLHA, PENSEI NISSO AGORA! OWNED!”

 

Hoje teve aulão. O que pra mim, é só mais uma desculpa pra ficar sentada em grupo desenhando. Tá, não é, eu realmente presto atenção. Desenhando.
De vez em quando eu acho que eu sou, assim, uma brastemp, sabe? Consigo fazer milhares de coisas ao mesmo tempo, e todas saem bem. (Bem, nos meus olhos todas elas são incrivelmente perfeitas.)

Mas é difícil me convencer que eu realmente acordo cedo num sábado para ter aula a tarde toda. Os portões abriam à 1:30h, eu e o Carlos chegamos lá por volta de meio dia e quinze, e tinha fila dobrando a esquina. (E olha que metade dos estudantes lá não eram japoneses.)

Mas é sentando na arquibancada do ginásio e olhando pra’quele mar de pessoas que se percebe que todas elas são praticamente iguais.

Não se acha uma menina sem luzes e todas elas tem a franja presa pra trás. Raras são as de cabelo curto. Geralmente usam calça skinny, e um suéter amarrado aos ombros, e estão fortemente maquiadas. Me pergunto que tipo de pessoa consegue acordar mais cedo num sábado frio para passar maquiagem e ir à aula. (Eu sei por que já tentei uma vez. Acordar três horas antes, escolher roupas, banho, cabelo, rosto, cremes e etc, e depois de uma semana eu já estava acordando 10 minutos antes do ônibus sair, e de vez em quando até esquecendo de tirar as pantufas.)

Não se acha também um menino de simples calça jeans e blusa branca. A maioria está com o cabelo “estilosamente” bagunçado, com um ar de rebelde. 90% usa calça xadrez. (O que pra mim é bastante confuso, já que eu sempre distinguia as pessoas relativamente alternativas pelo xadrez. Agora eu as vejo sendo vendidas em vitrines de lojas de surf.) E os que não usam xadrez, usam blusa polo listrada, ou uma blusa com vetores estampado levemente colada. (O que, na minha cabeça, grita homossexualismo.) É quase um alívio ver um homem com blusa amassada e cara de quem acabou de acordar, atrasado, e saiu correndo.

Mas isso nem é o que me choca mais! Quinta feira fui almoçar com les filles, e tive que esperá-las na frente do colégio.

É horrendo ver meninos que aparentam ter 19 anos saindo de um colégio de primeiro/segundo ano. Eu fico pensando se eles rodaram 900 anos ou se simplesmente estão se desenvolvendo mais rápido que o normal. (Pelo que dizem tem algo a ver com hormônio aviário.) E se eu achava que as meninas estavam parecidas no aulão, meu deus! Naquela saída elas usavam uniforme. Sabe o que é isso? São mais de 1000 meninas iguais de cabelos iguais, comprido e com luzes, calças coladas iguais e baby-looks iguais que não exatamente alcançam os zipers de suas calças iguais. Desfilando em saltos são tão altos que eu me pergunto como subiram ali sem a ajuda da mãe ou de uma escada, o que fez eu me lembrar das milhares de vezes que virei meu pé com tênis e pensar o quanto mais doloroso seria se eu usasse salto.

Comentando isso com a Bibi, percebi que é completamente compreensível. Elas querem chamar a atenção. O estádio estava praticamente cheio de meninos bonitos que se achavam a salvação para o universo, e elas queriam ser notadas. Então comentei que se eu não tivesse um pingo de massa cefálica eu estaria fazendo a mesma coisa. Cinco segundos depois eu virei e falei: “Nem precisaria mesmo, eu tenho meu cabelo. Ele já chama atenção por sí só!”

 

 

Preciso comentar também que estou farta de desculpas esfarrapadas.

Hoje fumaram no meu quarto. Depois de eu pedir novecentas vezes para não o fazerem, e quando comentei, minha irmã falou “Desculpa”.

Estou farta de pedidos de desculpas, somente para o erro ser repetido novamente.

“Desculpas” são pedidas quando você sente muito, e vai tentar (ou no mínimo se esforçar!) não repetir o ato. É algo que se pede para fazer o outro se sentir melhor, não você mesmo. Se for para fazer tudo novamente, não fale nada, faça tudo que tenha que fazer e peça desculpas no final. Se a pessoa não estiver achando que você é o maior ignorante, bundão, idiota, estúpido do mundo, ela vai pensar no seu caso.

Acho que as pessoas pensam que pedir desculpas arruma tudo, e apaga o erro. “Ah, já pedi desculpas, cara!” mas isso não muda o fato que meu jeans ainda está sujo de cerveja, meu quarto continua fedendo a cigarro e ainda tem migalhas de pão na minha cama, entre diversas outras coisas.

Vou tacar fogo na sua casa, arranhar todo seu carro, trocar sua pasta dental por soda cáustica, falar mal de sua mãe, e depois pedir desculpas.

“Mas é, cara, desculpa. Sem ressentimentos, não foi nada pessoal, saca? Esquecer e perdoar. Tá afim de me pagar uma cerveja?”

 

Acho que não-querer ratificar o fato significa que você não se arrependeu, realmente.

Sei lá, acho que metade do mundo devia tomar vergonha na cara.

m: Mando Diao – Clean Town.