É incrível como o ser humano tem uma facilidade para perder a paciência e morrer pensando que é infeliz
Hoje, por exemplo, estou num dos dias em que se alguém me olhar torto ou ousar uma piadinha estúpida, eu provavelmente daria uma camaçada de pau bem dada, e o prazer que eu sentiria do ato seria bastante superior ao de um chocolate ou, dependendo da pessoa, até de um orgasmo.
E ai de quem começar a murmurar sobre TPM ou hormônios. Eu já tive meu período esse mês, então não bote a culpa no meu útero!
Pior quando vêm aqueles machões cinco-por-cinco que se acham gostosos só por que lutam judô, e começam a falar sobre como cólicas menstruais são lendas urbanas e que na realidade é só (lá vem, prepara!) frescura.
(OBS! Não tenho nada contra caras legais que lutam judô, tá? Só contra os chatos! Não me batam. Por favor. Sério, minhas brigas só envolvem puxões de cabelo e, quando não deu tempo de cortar as unhas, arranhões.)
VELHO, SABE O QUE É FRESCURA?
Frescura é passar quatro horas se esfregando num tatame com outro cara e ainda falar que é “relaxante e libertador”! E ainda falar que cólicas são frescuras! Tenta passar dois dias com teu útero tendo espasmos contínuos e uma puta vontade de vomitar!
Se for assim, sabe o que eu também acho frescura? Chute no saco! Se é tão macho assim, levanta e continua andando! Mas não! Os que mais se acham são aqueles que ficam se contorcendo! O dia que vocês precisarem mijar um recém-nascido, daí vocês vêm falar comigo pra discutir sobre dor, sacou?!
Daí soltam um “Como você sabe, já teve filho?”, e é muito óbvio que esse comentário foi feito por um homem. Só homem faz esse comentário. E eu penso, “Você nunca caiu do 19º andar, mas sabe que dói!”. Mulher pode não saber fazer baliza, mas não faz comentário idiota assim.
Quando eu fico irritada, eu preciso falar. E só falo merda.
Gente, jogar paciência está me deixando irritada. E olha que o mundo (A.K.A, Fernando e Rafa) sabem que se eu tenho um vício, é a paciência. E coca-cola. E dormir. E brigadeiro branco, balões à gás, lhamas, pôneis, mini-vacas, coisas que brilham e fazem beep-beep….
Não quero ter vontade de bater na mão das pessoas quando elas me tocam, não quero me isolar na música pra “tentar acalmar”, parar de dormir tão tarde, e ter vontade de me levantar de manhã.
Eu não sei o que está acontecendo, talvez seja falta de fé.
Eu sempre pensava que as pessoas mais intelectualizadas sempre rejeitavam a idéia de um Deus. Não digo exatamente um “Deus”, mas o conceito humano de Deus. Eu imagino que seja por que eu sempre achei que todas as pessoas razoavelmente pensantes se perguntariam coisas que a Igreja não possa responder, e também que todas as maiores civilizações mundiais que existiram caíram por causa da religião. Povos que tiveram um desenvolvimento incrível, depois de um tempo decaiam por causa da fé.
Possivelmente, isso prova que todas as pessoas inteligentes são, na realidade, religiosas por natureza.
Mas eu sempre declarei que não acredito em religião criada por representantes humanos por que eu estudei o bastante para saber que o homem mente. Preciso de mais provas disso do que a história da Igreja Católica? Eu, que só estudei isso no primeiro grau, já perco toda a confiança. Por exemplo, não consigo acreditar na Bíblia. Nas antigas, ela era reproduzida em mosteiros, e o que me garante que os monges não mudaram algo? Talvez pensassem que tal parte não era realmente necessária, e eles já tinham escrito tanto naquele dia, pular uma linha não faz mal, né? E sem contar a tradução, já odeio tradução de literatura, quando leio o original já percebo todos os erros de sentido, e maneiras que seriam mais adequados. (Parte do motivo que comecei a me interessar sobre idiomas. Quero poder ler as obras originais de tu-do.) A mudança de uma letra pode mudar o sentido da página toda.
É um pouco paranóico, mas é a minha idéia fixa.
Ultimamente a Beta tem freqüentado a igreja, parece que faz bem pra ela, então eu respeito. Ela chegou, receosamente, a me convidar num final de semana. Eu ri. Ela pediu desculpas, nervosamente, e pediu para que eu não batesse nela.
Eu tentei explicar que religião não funciona pra mim, sabe? E é difícil de entender, as pessoas falam pra tentar, mas eu já tentei e eu me frustro. Eu tenho perguntas demais, e eles têm, como eu já disse, respostas de menos. Quando consigo uma resposta, ela não me satisfaz. Eu não me contento com o “Deus o quis”. Eu não consigo simplesmente acreditar, eu não tenho fé. Já percebi que nem tudo que se fala é verdade, se fofoca acontece aqui, na França, no Tibet, e em todas as partes do mundo, por que não poderia acontecer na Religião?
A visão de um Deus todo poderoso no céu, e todas as pessoas que morreram olhando cada passo nosso me dá arrepios. Eu não acredito que um Deus, supostamente bom e que nos ama igualmente, poderia simplesmente ficar olhando e de vez em quando jogando uma desgraça ou outra (“Só pra ver se vocês estavam prestando atenção!”). Eu acho uma coisa sádica e cruel. Uma coisa é espiar a vizinha no banho, outra é brincar de SimCity com a humanidade.
Eu fico irritada com pessoas religiosas. Eu não me importo de discutir sobre nada, pelo contrário, mas não tentem impor sua visão sobre mim (Ainda bem que a Beta não faz isso.). Eu não sou obrigada a acreditar na mesma coisa que os outros, e se acham que vou pagar por isso no dia do “juízo final”, ok, quem vai pagar sou eu. Não vou pedir empréstimo, nem pedir pr’os amigos ajudarem.
E não quero parcelar, o Céu deve ter juros astronômicos.
m: FOTOS – Explodieren
EDIT: E ontem eu disse “Boa Noite” pro garçon no restaurante
Minha irmã riu de mim.