Bem, recentemente, como tenho falado bastante de patricinhas, parece que várias delas foram atraídas para este blog.
O mais legal é que as pessoas que chegam aqui parecem chegar por sites de busca, onde escrevem perguntas. Variadas, do tipo “como convencer minha mãe a por silicone/cortar franja/alargar orelha/etc”. E sobre isso, só tenho uma coisa a dizer:
Façam. Nem perguntem pra ela, simplesmente façam. Se você tiver o dinheiro disponível, obviamente. Pedir pra elas é simplesmente querer levar um não na cara. Se a mãe de vocês for um pouquinho¹ igual a minha, ela vai olhar, arregalar os olhos, olhar mais de perto e falar: “Ficou maravilhoso!”. Foi assim que eu fiz o meu piercing na boca e ela fala que era a coisa mais bonita que eu já tinha feito.
(obs¹: O que eu duvido bastante que aconteça, por que nenhuma mãe é tão legal quanto a minha. Falando sério. A mãe de vocês pede pra baixar dvd do Mötorhead ou Iron Maiden pra ela? Não? Viu. Ela também fala que ficaria totalmente louca no show deles, e pularia no palco pra beijar a pinta do Lemmy. Costumava dizer que trocaria o pai pelo Santana, e fala que se vê a qualidade de um baixista pelo uso de palheta. Não, não é pelas técnicas que ele usa, é o simples fato dela usar palheta. Eu falei, minha mãe é demais.)
Se você não tem o dinheiro para fazer isso (especialmente se você quiser silicone), e mesmo assim quiser seguir a sugestão acima, eu já vou dando algumas dicas:
1. Não deixe ela saber que você usou o cartão de crédito dela para isso.
2. Vá devagarinho. Corte o cabelo de pouco a pouco, até que ele estiver um pouco acima da orelha, daí ela já não tem mais o que fazer. (Obviamente isso não se aplica ao silicone, otária. Vai fazer 900 cirurgias, 5ml por vez?)
3. Tenha certeza que sua mãe não vai te matar por isso.
___
Outra coisa que escrevem pra chegar aqui é “como saber se sou patricinha teste”. Então eu resolvi ajudar as pequenas padawans que tem por aí e fazer o meu próprio teste caseiro para saber se você é patricinha ou não:
Instruções:
1. Responda “Sim” ou “Não”.
2. Responda sem pensar muito. As respostas mais sinceras são as que vem de primeira.
3. Não tente enganar a si mesma! Eu não vou saber a resposta do seu teste. Por mais que você me ache foda, eu não sei ler mentes.
Perguntas:
1. Você é fresca?
2. Você leva mais de duas horas pra se arrumar?
3. Você demora mais de 10 minutos no banho?
4. Você acha que calça de lycra² tá na moda, especialmente se for com estampas de animal?
5. “Ai, amigããã” e “que mara!” são expressões freqüentes no seu vocabulário?
6. Você sabe que ‘vizinho’ se escreve com ‘z’ e não com ’s’?
7. Acha que a Bobby Blues é o melhor lugar para comprar calças?
8. Ouve os típicos raps americanos, seguidos por Beyoncé e Mariah Carey?
Resultado:
Se você assinalou mais de 1 (um) ’sim’:
Parabéns! Você é uma patricinha!
Gente! Só o fato de você achar que um teste pode determinar o que você é já mostra que seus miolos não prestam!
___
(obs²: Calça de lycra, também conhecida como a principal formadora de Patas-de-Camelo. Existe coisa mais vulgar?)
___
Não entendo essas coisas, mesmo. Quando eu li a parada do WordPress falando que procuraram isso chegaram ao meu blog, eu fiquei imaginando o que a pessoa estava pensando.
Se ela procurou isso deve ser por que a chamaram assim. E tem algo errado nisso? Usam como um palavrão, mas cara, o que tem realmente de errado? Tá, de vez em quando elas são frescas e fúteis, mas nem sempre. Já conheci meninas assim que são bastante centradas e legais de conversar.
Não há nada de errado em querer se arrumar e parecer bonita. Não há nada de errado em usar rosa, por ser uma cor que você gosta. Eu, pessoalmente, acho que só uso vermelho. Meu guarda-roupa todo é vermelho. Existêm rótulos que as pessoas botam nas patricinhas que na verdade simplesmente são coisas de mulher.
Por exemplo, eu não demoro duas horas pra me arrumar, mas detesto quebrar a unha. Dói, fica áspera e me irrita. Não tenho medo de andar na rua de noite sozinha, mas Deus-me-livre se passa uma barata! (Baratas são nojentas. São sim. São nojentas por que eu fico imaginando onde diabos elas estiveram e minha imaginação não me deixa chegar perto delas depois disso.)
Não são traços de patricinha. Eu consigo ver as fotos de doenças na aula de biologia, enquanto o menino na fileira do fundo passou a aula seguinte vomitando. Ele é uma patricinha?
Não me levem a mal, pessoal. Eu não sou contra patricinhas. Eu sou contra o espírito de ovelha. Tem uma diferença entre as duas coisas. Não apoio pessoas que usam as coisas só por que acham que é moda. Ter senso comum é ficar revoltado quando vê algo injusto, é ter noção de certo ou errado, já achar que os meninos não vão gostar de você por causa do tamanho dos seus peitos é outra coisa!
Eu parei pra pensar nisso por que esse final de semana eu estava na fila do supermercado com o Fer (Meioirmão, melhor amigo, conselheiro, motorista e idiota mór) e vimos uma revista cuja capa continha, em letras garrafais: “SAIBA SE SEU MARIDO ESTÁ TRAINDO!”
Cara, se você não confia no seu marido, independente dele trair ou não, você não deveria estar casada. Acredito piamente no lema que “confiança se consegue”, sim, acredito. Mas não se casa sem. Nunca quero dividir minha vida com uma pessoa que eu não confio. Se não consigo contar com alguém para um relacionamento, por que contaria para dividir responsabilidades?
A cabeça das pessoas está toda ao contrário!
m: Spoon – Stay Don’t Go.
